Tuesday, March 23, 2010

The Office (US)




Incrível.

Eu não sou exatamente um fã do Steve Carrell. Para ser sincero nem gosto muito dos filmes dele. Mas Michael Scott é um personagem impossível de ignorar. Ele, mais que as outras personagens apresenta um desenvolvimento de personalidade que não é muito comum em série de comédia. Fora isso, The Office não é o tipo de série com um enredo original - ambiente de trabalho, chefe boçal. Mas é uma série que faz seu valor pelas tiradas e impressiona pelo estilo de câmera, que é tratada como
personagem muitas vezes.
Quinta temporada em andamento.
Contando com nomes como B. J. Novak (Inglorious Basterds), Rainn Wilson (The Rocker), John Krasinski (Jarhead, Dreamgirls), Jenna Fischer (The Solitary Man). Além do já mencionado Steve Carrell (40 y.o. Virgin, Get Smart).

Chegou em 2009, no Brasil, o DVD da primeira temporada de The Office UK, a série original, mas realmente o remake supera.


Johnny Cash - Uma Biografia

Não, não estou falando do filme.

O quadrinista alemão Reinhard Kleist apresentou em 2006 (o mesmo ano de lançamento do filme) seu trabalho de maior impacto: Cash - I see a darkness. Lançado e reeditado em poucas semanas, ganhou também direitos de publicação nos E.U.A. e na França e traduzido para oito idiomas nos anos seguintes. Veio ao Brasil muito bem finalizado pela editora 8Inverso, em 2009, sob o título de Johnny Cash - uma biografia.

O escritor alemão Franz Dobler, que também publicou uma biografia do cantor, diz no prefácio: "Se tivessem se baseado no livro de Kleist, o filme teria sido muito melhor". Com uma abordagem mais obscura da vida do cantor, o livro toca em assuntos como o alcoolismo, a infância conturbada e a recessão de 1930, os episódios com Elvis, Bob Dylan e June Carter. E o êxtase das cenas de sua gravação na prisão de Folsom.

Conta com uma lista de prêmios: Melhor Graphic Novel alemã na Feira Internacional de Frankfurt, no Festival de Berlim e na Feira do Livro de Munique; o prêmio "Max und Moritz" - mais importante prêmio dos quadrinhos na Alemanha - na Mostra Internacional de Erlangen e o "Les Prix des Ados", prêmio francês do Festival de Música e Literatura de Deauville.

Kleist também publicou uma biografia de Elivs, uma adaptação de Dorian Grey para os quadrinhos, entre outros (veja no seu site), o que o torna o quadrinista mais importante da Alemanha. E um dos melhores do nosso tempo.

GRINDHOUSE Presents: Quentin Tarantino's Death Proof

Parte do projeto conjunto com Robert Rodriguez, GRINDHOUSE, Quentin Tarantino dirige Deathproof, outro filme impregnado com a identidade do diretor.

O quinto filme de Tarantino.
As palavras-chave para Deathproof seriam carros, morte e referências - que é a característica mais marcante dos filmes de Tarantino. Também conhecido como Tarantino's Thunder Bolt, estrelando Kurt Russell, Rosario Dawson, Zoë Bell e Eli Roth. Conta a estória de Stuntman Mike (Kurt Russell) um dublê de carros e seu encontro com as garotas no bar. É um filme que vale a pena recomendar, mas não vale a pena falar sobre.
Uma dica é ter um bloco de anotações do lado e sempre que puder, pausar o filme e anotar as referências diretas, como os filmes 70's de perseguição de carros, Gone in 60 Seconds (1974), Dirty Mary Crazy Larry (1971) e o incrível Vanishing Point (1971).

O Projeto GRINDHOUSE apresenta dois filmes, Deathproof e Planet Terror, o último dirigido por Robert Rodriguez, bem como trailers dirigidos por Eli Roth, Rob Zombie e Edgar Wright. No Brasil, os filmes vieram separadamente e apenas Planeta Terror entrou no grande circuito comercial de cinema.

Tuesday, August 5, 2008

Os Intocáveis

As duas melhores cenas de todos os tempos do cinema. Os Intocáveis.

Eu assisti rindo a Corra Que A Polícia Vem Aí (alguma coisa) fazer uma paródia exagerada e absurda de uma cena que envolve as escadarias de uma estação de trem, carrinhos de bebês, policiais e bandidos. Hoje, eu vi de onde saiu. É a melhor cena que eu já vi. A cena que me fez gritar nessa madrugada que eu amo e odeio o Brian DePalma; eu o amo por ter a chance de ver essa cena, e eu o odeio por ter destruído todo e qualquer sonho de tentar fazer filmes.
Por mais banal que este comentário pareça, este é um filme feito de cenas. Excelente. Desde o trabalho do senhor Giorgio Armani e o figurino, até a ousadia absurdamente bem caída da trilha sonora, as graças a Ennio Morricone. A penúltima seqüência do apartamento da 1634 Racine Av. é a segunda melhor cena que eu já vi. O suspense, a saliva que se perde na garganta, os olhos inquietos. E a raiva solenemente desferia em aplausos soltos no quarto sem pessoas. Só eu e os pixels.


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Faz tempo que não conseguia escrever nada aqui; não que alguém acompanhe, mas peço desculpas pelo comentário escasso.
Posso acrescentar que ficar acordado valeu a madrugada suja e triste que eu tinha até então.

Wednesday, February 20, 2008

Antes do Amanhecer

Diálogos persistentes em grandes e longas seqüências extremamente naturais. E tudo isso Antes do Amanhecer.

Não poderia fazer uma crítica imparcial sobre esse filme, eu me apaixonei por essas duas personagens bem desenhadas no filme. A história casual de um casal ao acaso que, por acaso, houve de se encontrar num trem a caminho de Viena. Celine, a francesa intelectual que fala mais de uma língua, e Jesse, o típico americano limitado em viagem pela europa. Primeiras impressões nem sempre ficam.
Eu gosto muito de analisar o nome das personagens de um filme. E esse filme, ao dizer os nomes (o que ocorre uma vez, apenas) ainda dá a dica de qual interpretação pode ser mais apropriada. Jesse é o bandido forasteiro que vem roubar a mocinha que estuda na La Sorbonne.
É piegas demais dizer que fez-se um guia para futuras paixões incendiárias? Segui-lo, porém, machuca os corações envolvidos. Uma faísca logo que desata no gás a brilhar e brilhar e brilhar até que não faça mais sentido brilhar sem ter combustível.

Sim, estou enrolando, é que não quero revelar nada sobre o filme.
E raro, mas nem tanto, há uma continuação tão boa quanto o próprio filme, Antes do Pôr-do-Sol, e muitas emoções e um pouco de política de novo.

P.S.: São dois dos meus filmes favoritos, mas não vou fazer resenhas sobre eles, exatamente por esse motivo.

Sunday, November 25, 2007

Gustav Klimt (1862 - 1918)

Na verdade, eu conheci o trabalho de Gustav Klimt (biografia) por causa de Elfen Lied.

Ontem eu fui assistir ao filme novo do Hector Babenco, O Passado (próxima resenha, espero!) e eis que o personagem de Gael Garcia Bernal, Rimini, deixa de ir à exposição de Klimt. Confesso que fiquei um pouco decepcionado com isso, mas o filme mostra O Beijo (1907), e foi então que eu me dei conta do que estava acontecendo.

A obra de Klimt mostra a beleza do cotidiano, exaltando cores e ornamentos. Suas paisagens têm uma frugalidade quase incoerente e suas pessoas, sentimentos emergentes. Klimt se modifica conforme o referente inercial, mas parece luz, às vezes. Com os traços quase geométricos que pode representar a formatação dos elementos da pintura como imperfeitos, porém com a beleza assustadora; ricocheteiam nos limites da pele ou superfície.

A arte erótica dele é quase um absurdo. A cena de uma mulher que se satisfaz com o toque do luxo a envolvendo apresenta tanto erotismo quanto os estudos sobre a nudez (II e III). E os corpos jogados ao trâmite limite do êxtase, da sobriedade e da quietude das coisas belas. Os sonhos dentro do corpo e a inocente idéia de estar-se só dormindo são idéias presentes na obra, bem como no Simbolismo da época. Além de mais nada, Klimt.

Fez, também, retratos. Mas não fê-los como um retratista qualquer, novamente exalta a tonalidade e a forma livre dentro dos ornamentos, roupas e luxo presentes junto às mulheres que houve de pintar. Sóbrio, rebuscado e exaltador de uma beleza que nem sempre é tão visível.
Existencialismo apenas exagerado, a idéia de retratar o que se vê como ele vê, a beleza no corpo exposto. É como o desejo que se desperta novamente em uma pessoa frígida. Literalmente e literariamente, Klimt é Klimt.

Saturday, September 15, 2007

Edukators

Die fetten Jahre sind vorbei! Edukators.


Uma família da alta burguesia alemã chega de férias em casa e fica bestializada com os móveis empilhados no meio da sala. Todos loiros com a expressão aberta em dentes brancos. O aparelho de som na geladeira, os soldados de porcelana no vaso sanitário, a estátua enforcada na sala, e uma carta para eles: Die fetten Jahre sind vorbei! Seus dias de fartura terminaram. Assinada por: Edukators. E há também o desejo de vingança quando descobrem o causador do furo financeiro de Jule (Julia Jentsch), e invadem sua casa. Mas algo não acontece como o planejado.

Até que ponto é saudável a tentativa de mudar a sociedade? E até que ponto é eficiente? O medo corrompe as mentes sobre as faces bem lavadas. Edukators mostra uma tentativa de eliminar o câncer da sociedade de forma radical. Influenciados por um antigo grupo de ideais semelhantes, dois jovens (posteriormente três) tentam reparar as injustiças que vêem no sistema opressor.

O sucesso pessoal deve ser encarado como uma forma de oprimir os que não o conseguem? O capitalismo expressa-se pela distância que se cria entre as diferentes classes e oportunidades. Entretanto, já é tão atávico que mudá-lo seria como desmembrar-se, a humanidade não sabe viver sem a ganância e a violência. Será? Isso é apresentado subentendidamente no filme. Por exemplo no motivo de Jule querer invadir a casa de Hardenberg (Burghart Klaubner), para ensiná-lo sobre os malefícios do dinheiro e da ostentação, era exatamente o dinheiro que ela viu-se sem, por conta de um acidente.

Emoções e desejos pessoais, anseios e inseguranças. Traços psicológicos da juventude que vêm à tona após uma constatação inesperada e indiscreta, óbvia, porém. De certo modo, é possível traçar um paralelo entre essa constatação e a proposta principal do filme, afinal, ainda são jovens, energia e inexperiência atrás de um propósito, um princípio. À semelhança do cenário opressor de Os Sonhadores, embora tratados de forma diferente, Edukators mostra uma vontade de mudança, rejeição à inércia que as mentalidades de liderança outorgaram.

Saturday, September 8, 2007

A Primeira Noite de Um Homem

Inflamado pelas músicas Simon & Garfunkel, eu peço perdão, mas tenho que resenhar The Graduate.


A começar por uma das melhores trilhas sonoras existentes. Entretanto, o que define a qualidade de uma trilha sonora? Não é apenas a qualidade das músicas por si só, mas como elas interagem com as cenas e com as personagens e suas ações, reações e emoções. E então, tem-se uma ótima trilha sonora, conciliando todos estes fatores. "A Primeira Noite De Um Homem" consegue trazê-los à tona maravilhosamente bem. Simon & Garfunkel tornaram-se parte do filme, eternizado com o Oscar de Melhor Diretor, Grammy de Melhor Trilha Sonora e outros cinco Globos de Ouro, fora as indicações tantas outras.

Dá-se uma situação brusca do recém formado Benjamim Braddock (Dustin Hoffman) que é seduzido por uma amiga (Anne Bancroft) de seus pais e, posteriormente, se apaixona por sua filha. Triângulos amorosos são uma figura comum aos enredos de cinema da época, mas este destacou-se por envolver a disputa entre mãe e filha por um rapaz que não sabe o que será seu futuro.

Metaforicamente falando, é fácil traçar um paralelo entre a vida contemporânea e as voltas que o filme propõe. As disputas entre a experiência e a novidade, a fugacidade da juventude, qual das duas é a melhor? Há algo melhor? Obviamente, perguntas como estas não têm uma resposta direta, tratam-se de pontos de vista de situações distintas. Depende.

Recentemente, foi produzido um filme que apresenta uma pseudo-continuação para "A Primeira Noite de Um Homem", estrelado por Jennifer Aniston e Kevin Costner, "Dizem Por Aí..." propõe que o roteiro de "A Primeira Noite de Um Homem" foi inspirado na história da família de Sarah Huttinger (J. Aniston) e que sua avó seria a própria Mrs. Robinson que, no outro filme, seduzira Ben Braddock. Entretanto, são apenas boatos. Propondo um final diferente do roteiro original do filme, "Dizem Por Aí..." torna-se um ótimo filme para complementar "A Primeira Noite de um Homem", embora não seja realmente necessário.

Thursday, September 6, 2007

Donnie Darko

"- Why are you wearing this stupid rabbit suit?
-Why are you wearing this stupid man suit?"


Metafísica em sua essência. O que é real? Quais são os valores morais que realmente importam, ou, valores morais realmente importam? A partir de uma estrada, Donnie Darko (Jake Gyllenhaal) começa sua história acordando no meio do nada, num vazio tranqüilo. E volta para a cidade sorrindo e observando-a. Talvez uma metáfora para o renascer de si mesmo, a renovação, um novo Donnie.

Algumas reflexões expostas diretamente, algumas opniões, inclusive metalingüísticas, no filme, algumas tiradas com um humor pungente e inteligente permeiam as atuações de nomes como Drew Barrymore e Patrick Swayze, entre outros. Destaque para um diálogo um tanto machista acerca da sociedade dos Smurfs, teorias conspiracionistas e detalhadamente compostas pelas grandes mentes criadoras, ou pelas grandes mentes que imaginaram-nas. Outro ponto alto do filme é a trilha sonora que, basicamente, contém sucessos do final dos anos oitenta e prepara o clima adequado para os diálogos e as proposições que o enredo levanta.

Brincando com o tempo e com as reações psicossomáticas das personagens, o roteiro de Donnie Darko, apresenta voltas e rodopios em torno da própria mentalidade do protagonista. Suportando acusações indescritas, a pressão que a família faz inevitavelmente, a relação estranha com uma nova conhecida, a alienação provocada por um autor de auto-ajuda na sua escola, e Frankie, um homem-coelho que aparece no seu espelho e, posteriormente, ao seu lado e à sua volta, seu novo amigo imaginário; Donnie vê sua casa ser atingida pela turbina de um avião. Mas ninguém saiu ferido, aparentemente.

À semelhança de Quem Somos Nós? (What The Bleep Do We Know?), Donnie Darko traz uma reflexão geral sobre a realidade em si. Sobre a situação a que a sociedade e as relações humanas chegaram. Distinguindo-se daquele no ponto em que toca à obviedade com que tais assuntos são tratados, até considerando o formato dos filmes. Donnie Darko traz uma abordagem mais direta da problemática que a dúvida da realidade gera, e o documentário mostra fatos sobre a realidade e as pequisas acerca de física quântica e seus vértices. O que é a realidade, afinal? Qual é a real linha de tempo que o espaço pode observar? Tudo é possível? E porque não?